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Avaliar os professores, à semelhança do que acontece com qualquer outro trabalhador do sector privado, é um acto de elementar justiça.
Paulo Gonçalves Marcos
Uma grande manifestação no pretérito Sábado em Lisboa. Professores, e não só, do secundário e de alguns outros graus de ensino. De um país “sui generis”, que lhes paga mais em termos relativos que os seus congéneres dos outros países da União Europeia. Mas que os resultados que o fruto do seu trabalho demonstra, aquilo que aprenderam os alunos e as capacidades de raciocínio e trabalho que estes desenvolveram, nos coloca na cauda da tabela. Portanto, os trabalhadores mais bem pagos para os piores resultados. Situação insustentável, que em qualquer outra entidade, sujeita a concorrência, a teria levado à bancarrota. Vital introduzir racionalidade e gestão em todo o sistema estatal de ensino. Avaliar os professores, à semelhança do que acontece com qualquer outro trabalhador do sector privado, um acto de elementar justiça. Não chega, contudo. Um estudo acabado de sair nos Estados Unidos, publicado pela “Education Next”, uma revista dedicada a políticas de educação, apresenta resultados que nos fazem pensar. O estudo observa que o aumento do número de anos de escolaridade da população aumenta o ritmo de crescimento económico, mas somente se as capacidades cognitivas dos estudantes, medidas pelas competências a matemática e a ciências, tiverem sido aumentadas. Ou seja, o mero aumento dos números de anos de escolaridade não é suficiente. É necessário que se traduzam numa melhoria efectiva das competências e do raciocínio associados à matemática e às ciências. Mais ainda, o estudo da Education Next elabora e prevê que se os alunos do secundário norte americano tivessem competências (vide estudos PISA), nessas duas áreas, ao nível dos alunos dos países com melhores resultados, a Coreia do Sul, Finlândia e Hong Kong, o produto nacional bruto dos Estados Unidos seria quase um ponto percentual superior! Se pensarmos que em cenário de abrandamento económico, como se tem verificado em Portugal, o aumento de um ponto percentual do produto pode demorar cerca de um ano a atingir…Ora Portugal, nos mesmos estudos comparativos internacionais, surge na cauda da OCDE (enquanto os EUA estão quase a meio da tabela). Razão para podermos pensar que o impacto deverá ser mais profundo ainda na nossa Economia…Dito de outra forma, a incapacidade de produzirmos alunos do secundário com competências de nível mundial em matemática e ciências, obriga-nos a todos a trabalhar muito mais, pelo menos um ano mais nas nossas vidas…Por isso devemos defender que os resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais e nas comparações internacionais contem, de forma bastante acentuada, para as avaliações dos professores (e não apenas com uma ponderação ridícula de 6.5%). O nosso bem-estar depende disso!
Não queria acabar esta coluna de hoje sem fazer uma analogia entre Winston Churchill e os CEO´s das empresas. Lembram-se como a tenacidade e a liderança de Churchill salvaram o Reino Unido na Guerra? E de que o povo britânico o apeou nas eleições primeiras que se fizeram em paz? Isto ilustra também o facto de que certos dirigentes empresariais, mesmo tendo desempenhado um excelente papel na liderança de um processo de “turnaround” de uma empresa, salvando-a de um processo de asfixia lenta mas inexorável, não devem ser inamovíveis. Como sucedeu no Benfica, em que após uma sucessão de presidentes erráticos, a dupla Vilarinho+Vieira conseguiu devolver a estabilidade e o alívio relativo da pressão financeira. Mas os que os associados do Benfica agora terão que decidir é se Vieira, salvador, tem o perfil e as competências para devolver a glória ao clube. Gerir para crescer é muito mais difícil que gerir em tempo de crise. Mais difícil, porque menos mobilizador e apelando a um conjunto de competências de gestão que demoram anos a desenvolver e treinar. A saída de Camacho deveria marcar o fim de um ciclo. O problema não é dos treinadores…
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